Ser administrador de insolvência podia ser, nos tempos que correm, a melhor opção profissional, mas não existem muitos, o trabalho multiplica-se e o salário tarda.
Todos os dias há dezenas de empresas a fechar portas, incapazes de pagar a quem devem. Os processos de insolvência vão, assim, aumentando, mas os administradores destas situações vai diminuindo.
O excesso de trabalho e a falta de condições tem levado muitos a abandonar a profissão. Os que ficam são obrigados a acumular processos de empresas falidas, que chegam a arrastar-se durante anos.
Há muito que avisam o Governo, mas as respostas tardam: “Isto está a atingir uma situação gravíssima”, alerta Rosário Pinto, presidente da Associação de Administradores de Insolvência e uma das poucas a exercer a profissão em exclusividade.
“Durante o ano passado inteiro, recebi 250 euros”, revela à Renascença. “Nas insolvências, o dinheiro é para retirar das massas insolventes e os processos não têm massas insolventes, [pelo que] não posso tirar; nas falências, os processos não avançam e a pessoa faz o quê?”, explica.
Os administradores de insolvência recebem dois mil euros por processo, mas muitas falências arrastam-se por muito tempo. Além disso, o Ministério da Justiça atrasa-se nos pagamentos e adia, há cinco anos, a abertura de exames para novos profissionais.
A quem ainda trabalha nesta profissão, resta acumular processos. “Sei de casos com 60 ou 80 processos”, diz Rosário Pinto.
A presidente da associação que representa a classe afirma ainda que já avisou o Governo de que “qualquer dia não vão ter administradores de insolvência para tratar das insolvências dos administradores”.
MG/Dora Pires
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