Baixos salários provocam mal-estar entre trabalhadores da Teixeira Duarte-Angola
Ricardo Batista
25 de Fevereiro de 2009Os "baixos salários" praticados pela construtora Teixeira Duarte-Angola são a razão principal para o mal-estar prolongado que se vive na empresa, acusam os trabalhadores.
Depois de uma greve em 2007, a última paralisação na construtora de capitais portuguesas e angolanos terminou a 13 de Fevereiro, tendo os funcionários retomado o trabalho só depois da administração prometer a resolução dos problemas até Abril.
Apesar de terem regressado ao trabalho, a maior parte dos cerca de 2500 trabalhadores, segundo números divulgados pela imprensa angolana, continuam insatisfeitos com as condições laborais.
"O maior problema é que os menos de 30 mil kwanzas (290 euros) que pode ganhar um pedreiro experiente, não são aceitáveis. E há salários muito mais baixos", disse um trabalhador angolano da Teixeira Duarte-Angola, uma das mais importantes empresas de construção civil no paÃs.
Outra das queixas dos funcionários da Teixeira Duarte-Angola é a "diferença muito grande" entre os salários pagos pela empresa aos trabalhadores estrangeiros, na sua maioria portugueses, e os nacionais, mesmo que "tenham categorias semelhantes".
Há ainda, no pacote de reclamações dos trabalhadores, a questão do subsÃdio de alimentação, que, segundo disse à Lusa um trabalhador da empresa, ronda os 300 kwanzas para funcionários sem cargos de chefia, exigindo estes "pelo menos 900", (cerca de 8,5 euros) e ainda aumentos semelhantes no subsÃdio de transporte.
Com um ajudante de pedreiro a ganhar 15.500 kwanzas, segundo um funcionário, os trabalhadores exigem ainda o pagamento atempado do subsÃdio de férias.
A situação da segurança no trabalho é também referida pelos trabalhadores como área que "tem de ser melhorada".
A Lusa tentou, sem sucesso, chegar à fala com a administração da Teixeira Duarte-Angola.Segundo disseram à Lusa trabalhadores, a empresa comprometeu-se a resolver os problemas até Abril, razão pela qual foi suspensa a greve.
O secretário executivo da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), Francisco Jacinto, confrontado com esta situação, afirmou que o sindicato "está preocupado com a realidade salarial" em empresas "consideradas de primeiro nÃvel".
"Não se compreende que empresas de 1º nÃvel possam ter trabalhadores a ganhar 16 mil kwanzas ou pouco mais que isso", disse Francisco Jacinto.
"Por muito que se pense sobre esta realidade, não se encontram razões para ela", acrescentou, afirmando ainda que se "exige" a estas empresas que "proporcionem boas condições de trabalho" aos funcionários.
A Teixeira Duarte-Angola tem ainda forte presença em sectores como a restauração, hotelaria e a venda de automóveis.