As 30 melhores empresas têm 90 mil candidatos
CATARINA ALMEIDA PEREIRA
Ranking. O sector financeiro e das tecnologias da informação justifica que, no ano passado, três dezenas de empresas tenham recebido mais de 90 mil candidaturas. As organizações distinguidas na lista da Best Place to Work empregam 11 mil pessoasBanca e tecnológicas estão entre as empresas mais concorridas
As 30 organizações que este ano integram o ranking da Best Place to Work - uma lista anualmente organizada por uma empresa privada- tiveram, no ano passado, mais de 90 mil candidaturas de trabalho. Os dados, que incluem as candidaturas espontâneas, foram divulgados pelas empresas à organização do evento e correspondem, em média, a oito vezes o número de trabalhadores. Só o sector financeiro (Liberty Seguros, Barclays Bank e BNP Paribas Security Services) justificou 40 mil candidaturas.
Microsoft, Cisco, Liberty Seguros, Cushman and Wakefield e Diageo lideram a lista Best Place to Work, onde são comuns os sectores onde a procura de emprego também tende a aumentar. As inscrições de novos desempregados estão a crescer nas actividades financeiras (8,4% em Janeiro, em termos homólogos), de consultoria (6,4%), ou de informação e comunicação (7,7%), revelam os dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional.
O ranking da Best Place to Work inclui, este ano, 18 empresas que constavam da lista do ano passado. Notória é também a presença de grandes marcas e de multinacionais. "É completamente diferente iniciar uma empresa de raiz e ir aprendendo à medida que se vai gerindo, ou instalar uma empresa como a Microsoft. Não é só uma questão de recursos, mas tem sobretudo a ver com a eficiência que se ganha ao ter as guidelines todas definidas à partida", refere Sandrine Lage, fundadora da Sperantia, a empresa responsável pelo Best Place to Work Institute em Portugal, organizador do evento.
As regras explicam, em parte, os resultados. O processo inicia-se com o envio de convites a cerca de duas mil organizações, mas o acesso ao processo de avaliação propriamente dito implica o pagamento de uma quantia que ronda, no mínimo, os cinco mil euros. Este ano foram avaliadas cerca de duas centenas de organizações, nem todas privadas. É então feito um questionário com cerca de 60 perguntas a todos os colaboradores. A manutenção na corrida exige, segundo as regras, a resposta de 40% dos inquiridos e uma taxa de satisfacão superior a 70%. Pelo caminho ficaram, diz Sandrine Lage, algumas instituições do Estado. As práticas então descritas pelas empresas são cruzadas com as respostas dos empregados. "Se a empresa refere que envia um postal de aniversário mas o colaborador explica que o postal chega com um mês de atraso, a prática é cortada". A qualidade é, contudo, relativizada por alguns colaboradores destas empresas contactados pelo DN. Miguel (nome fictício) esteve numa das empresas de comunicação. Refere que a "grande rotatividade" de pessoal, sobretudo jovem, "mal pago" e a recibos verdes, acabou por resultar num "ambiente controlador" e por comprometer a "estratégia" dos projectos. Joana (nome fictício) entrou há alguns meses na consultora que também consta da lista, mas nunca ouviu falar da happy hour de boas-vindas, com brinde de champagne aos novos colaboradores, referida como prática corrente no dossier da empresa. "Entras e és mais um. Não sei o nome de alguns colegas. E estou a falar apenas do meu departamento, não da empresa inteira".
http://dn.sapo.pt/2009/03/06/dnbolsa/as_melhores_empresas_90_candidatos.html
