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Dietista - Meios técnicos facilitam trabalho de uma profissão de 70 anos (1 mensagem)

Lisboa, 15 Mar (Lusa) - A utilização de aparelhos para medir a massa gorda ou as necessidades calóricas de um indivíduo são alguns dos instrumentos que os dietistas dispõem actualmente, permitindo uma prática mais eficaz da profissão que completa este ano 70 anos.
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"Há 70 anos (o trabalho) era mais empírico", disse à agência Lusa a presidente da Associação Portuguesa dos Dietistas, Graça Raimundo, recordando que nessa altura o estado nutricional de uma pessoa era apenas avaliado através do seu peso e altura.

Hoje em dia essa avaliação é feita com a ajuda de aparelhos sofisticados de bioimpedância, que dão a percentagem de massa gorda.

"Só aqui há uma diferença grande, porque enquanto podia achar que, fazendo a relação peso altura, um atleta estava obeso, eu hoje, com um aparelho de bioimpedância, vejo que aquele indivíduo não era gordo mas tinha uma grande quantidade de massa muscular", explicou.

Além deste, os dietistas contam actualmente com outros aparelhos, nomeadamente para medir os gastos energéticos de cada doente, a força muscular ou as pregas cutâneas.

Há ainda outros aparelhos para utilizar na cozinha, como seja para medir a temperatura dos fritos, a concentração das misturas (para as sondas nasogástricas) para avaliar os açucares e hidratos de carbono dos alimentos e ainda para detectar a presença de micro-organismos que se podem encontrar nas superfícies e na água.

Quanto às diferenças na alimentação ao longo dos anos desta profissão, Graça Raimundo apontou o dedo à globalização porque trouxe hábitos alimentares que não havia em Portugal, como o consumo de gordura em excesso, responsável pela obesidade.

A valorização do consumo da sardinha e do azeite foram outros exemplos destacados pela dietista quanto a alimentos que passaram a ter mais aceitação.

Por sua vez, Maria Fernanda Fogaça, dietista reformada, falou em "modas alimentares" em vez de alimentos que ganharam ou perderam importância.

Os problemas que há 40 anos levavam as pessoas aos dietistas são os mesmo que agora: a obesidade e a diabetes.

Para Graça Raimundo, o excesso de consumo de gordura, em alimentos pré-confeccionados, e de açúcar, a par de pouco exercício físico e pouca disponibilidade para tomar refeições e cozinhar, são os grandes problemas actuais.

Esta dietista conta com as crianças para ajudar a educar os mais velhos, "à semelhança do que aconteceu com a reciclagem".

Entende que as crianças começam cada vez mais cedo a aprender o que é uma boa alimentação, contudo, critica o facto de a mesma escola que ensina os bons hábitos tenha máquinas para venda de bolos e chocolates.

Na sua opinião, as escolas deviam ter o apoio de dietistas para a elaboração das refeições das crianças.

No ano em que se assinalam os 70 anos da profissão está a decorrer um estudo sócio-demográfico para caracterizar o dietista em Portugal, que deverão rondar os mil profissionais, segundo a presidente da Associação.

Embora desconhecendo os resultados, Graça Raimundo garante que os "dietistas não estão em número suficiente" nos locais onde deveriam estar, nomeadamente hospitais - onde o rácio devia ser de um profissional para 50 doentes -, escolas, autarquias e lares de idosos.

Como consequência disso, a situação de "desnutrição hospitalar" e desnutrição nos idosos tem aumentado, referiu.

Cabe ao dietista clínico fazer a avaliação o estado nutricional dos doentes, determinar as suas necessidades nutricionais, elaborar planos adequados à situação patológica do doente e fazer a sua supervisão, além de proceder igualmente ao aconselhamento ambulatório, explicou Graça Raimundo.

Uma tarefa que não difere muito da do nutricionista, cuja profissão tem como objectivo a "promoção da saúde e prevenção e tratamento da doença".

A presidente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, Alexandra Bento, reconheceu à Lusa que na prática não há diferenças substanciais.

Realçou, contudo, diferenças na formação.

"As semelhanças actuais são maiores do que as do passado mas ainda existem diferenças em termos formativos", disse Alexandra Bento, explicando que os dietistas têm formação politécnica e os nutricionistas universitária.

As semelhanças práticas entre as duas profissões de nutricionista e dietista já levaram as presidentes das duas associações a uma primeira conversa com vista a uma eventual aproximação ou fusão.

Graça Raimundo disse que "houve uma conversa" no sentido de uma aproximação entre as duas profissões e que a ideia está a "amadurecer".

Por sua vez, Alexandra Bento fala numa conversa exploratória, no sentido de se pensar no futuro estratégico das duas profissões, cuja decisão final caberá sempre à tutela, ou seja ao Ministério da Saúde.

Esta nutricionista explica ainda que há diferenças que depois teriam difícil resolução, nomeadamente em termos de carreira e de escolha de nome, dado que se teria de prescindir de um deles.

"Os nutricionistas são técnicos superiores de saúde, enquanto os dietistas são técnicos de diagnóstico e terapêutica" com ordenados diferentes.

As dietistas Graça Raimundo e Maria Fernanda Fogaça vêem com bons olhos uma fusão entre as duas profissões até porque os currículos académicos são cada vez mais semelhantes.

A criação de uma Ordem que unisse as duas profissões é um desejo de Maria Fernanda Fogaça, enquanto Alexandra Bento também pretende uma Ordem, mas que sirva essencialmente para regularizar a profissão.

De acordo com Graça Raimundo, "trata-se de duas profissões que conferem sabores e competências idênticas", sendo que inicialmente os dietistas estavam mais orientados para a área clínica, hospitalar, e os nutricionistas para a saúde pública.

http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Meios-tecnicos-facilitam-trabalho-de-uma-profissao-de-70-anos.rtp&article=208269&visual=3&layout=10&tm=2