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Ensino profissional está a ser usado para “mascarar insucesso”, denuncia Fenprof (1 mensagem)

24.03.2009 - 17h51 Clara Viana
A explosão da oferta de cursos profissionais no ensino secundário público serve, sobretudo, para “mascarar o insucesso e o abandono escolar”, denunciou ontem, em conferência de imprensa, Anabela Sotaia, da Federação nacional de Professores, que chamou a tenção não só para a dimensão deste “boom”, como para o “reduzido tempo” em que foi concretizado: a oferta, nas escolas públicas, “passou de 10 para 60,3 por cento” em apenas quatro anos.

Admitindo a existência de “casos de sucesso” neste novo universo, Mário Nogueira, secretário-geral Fenprof, chamou contudo a atenção para o facto destes novos cursos estarem a ser encarados como “uma via de segunda categoria”, tendo-se a criar, com eles, “verdadeiros guetos dentro das escolas, para onde “são empurrados os alunos que não têm grande sucesso”. “O sucesso do ensino profissional pode vir a ser um tremendo insucesso”, advertiu Anabela Sotaia, que apontou a propósito o “empobrecimento do currículo de formação geral” neste cursos e a ausência, em muitos casos, de saídas profissionais.

Segundo esta dirigente sindical, apesar da sua explosão, a oferta pública não tem reduzido a procura das escolas profissionais privadas, que até há poucos anos asseguraram quase em exclusivo a formação nesta área. Hoje são cerca de 200, muitos alunos em “lista de espera”, mas já são pelo menos 50 as que tiveram de encerrar portas por falta de fundos, revelou Sotaia, recordando que estas escolas são financiadas por “fundos comunitárias que chegam, em regra, com seis a sete meses de atraso. Para custear as despesas, a maioria vê-se obrigada a recorrer a crédito bancário”, mas os juros “não são elegíveis, correspondendo a mais uma sobrecarga inadmissível no seu orçamento”, denunciou a Fenprof.

Nestas escolas “vive-se na selva”, denunciou Mário Nogueira: há professores que trabalham neste ensino “há 20 anos e não têm direito a uma carreira”, “não têm contrato colectivo”, "muitos estão a recibos verdes há anos". “É como o patrão quer, seja no que respeita a salários ou horários”, acrescentou. Segundo Nogueira, tanto o Ministério da Educação, como o do Trabalho, têm revelado “um absoluto desinteresse pelas condições inumanas” no sector.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370703&idCanal=10