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Trader - vantagens e desvantagens (2 mensagens)

Ulisses Pereira - Caldeirão de Bolsa
O lado mau dos mercados

Se me dedico por completo aos mercados financeiros há vários anos é porque encontro nesta actividade vários aspectos positivos que me levaram a tomar tal decisão. Por isso, achei mais interessante começar por escrever um artigo sobre aquilo que não gosto nos mercados, deixando para a próxima semana o lado bom desta vida de trader .

Se me dedico por completo aos mercados financeiros há vários anos é porque encontro nesta actividade vários aspectos positivos que me levaram a tomar tal decisão. Por isso, achei mais interessante começar por escrever um artigo sobre aquilo que não gosto nos mercados, deixando para a próxima semana o lado bom desta vida de “trader”.

O stress e o enorme desgaste psicológico a que um “trader” se submete são dos aspectos mais negativos da vida de quem se dedica a tempo inteiro aos mercados. Há “traders” de todas as idades, mas apenas uma minoria tem muitos anos de vida. É difícil resistir a tantos anos de stress constante e emoções fortes. Os cabelos brancos florescem àqueles que têm a sorte de não ficarem sem eles…

É bom sentir adrenalina em cada dia de trabalho mas, em excesso, pode criar uma tensão difícil de suportar. Claro que, ao longo da nossa vida de “traders”, vamos aprendendo a lidar com o stress mas, por mais frios que consigamos ser, nunca conseguimos ficar imunes ao desgaste emocional que esta actividade obriga.

É muito difícil lidar com aqueles dias em que tudo nos corre mal nos mercados e em que perdemos muito dinheiro. Várias sensações nos invadem das quais destaco a frustração e o desânimo. Nesses dias terríveis, um “trader” coloca tudo em causa. Questiona os seus métodos, a sua abordagem ao mercado, o seu raciocínio e até se estará na actividade certa!

Em termos financeiros, os mercados são extremamente aliciantes dado o enorme potencial de ganhos que podem proporcionar. Contudo, o facto de se chegar ao fim do mês sem se saber quanto dinheiro iremos ter é algo impensável para muitas pessoas que sentem necessidade de ter o seu rendimento estável mensalmente.

Sem um suporte financeiro suficientemente grande para se viver, a situação agudiza-se e pode mesmo assumir contornos muito preocupantes. A pressão aumenta e cometem-se muitos erros com o medo de falhar e de faltar dinheiro no final do mês. Esta instabilidade de rendimentos é um dos factores que muitas pessoas não conseguem superar na transição de um investidor normal para um “trader” a tempo inteiro.

Outro dos aspectos que considero mais negativos é a tendência para o isolamento. Eu considero o “trading” uma actividade muito solitária e com o cada vez maior número de “traders” que negoceiam em casa, através da Internet, é muito frequente que os dias sejam passados sem qualquer contacto humano. Bem sei que estão livres dos conflitos laborais existentes noutras profissões, mas os dias passados isolados acabam por tornar mais pesadas as semanas.

Por último, gostaria de referir que quem se dedica por completo aos mercados financeiros vê o seu tempo quase completamente absorvido por essa actividade. Numa altura em que os investidores têm acesso a qualquer mercado no mundo, é difícil fugir à tentação de ficar tempo em demasia a acompanhar os mercados. E, além das horas em que estão abertas as Bolsas, um investidor tem que fazer todo o trabalho de análise de preparação para a sessão seguinte. Aliás, este trabalho preparatório que muitas vezes passa despercebido para a maioria das pessoas é essencial para o sucesso de qualquer “trader”.

Além das horas que passa a trabalhar, é muito difícil a qualquer pessoa que se dedique por inteiro aos mercados abstrair-se dos mesmos nos momentos de descanso. O que se passa nos mercados está sempre na sua cabeça e a melhor forma de um “trader” descansar realmente é fugir para um sítio sem acesso a computadores, televisões ou telemóveis porque, caso contrário, a tentação de ir seguindo o rumo dos mercados é grande.

E o lado bom dos mercados? Para a semana conversamos…

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=354468

Ulisses Pereira - Caldeirão de Bolsa
O lado bom dos mercados

Na semana passada, deixei aqui a minha visão sobre os aspectos negativos da vida dos que se dedicam, por inteiro, a negociar nos mercados financeiros. Hoje, cumprindo a promessa feita nesse artigo, escrevo sobre o lado bom da vida de um trader .

Na semana passada, deixei aqui a minha visão sobre os aspectos negativos da vida dos que se dedicam, por inteiro, a negociar nos mercados financeiros. Hoje, cumprindo a promessa feita nesse artigo, escrevo sobre o lado bom da vida de um “trader”.

Curiosamente, quando comecei a elaborar um pequeno rascunho com os tópicos que irei abordar neste artigo, reparei que a maior parte dos aspectos que considero positivos na vida de um “trader” são também aqueles que foquei na semana passada como sendo negativos, mas vistos de uma perspectiva diferente.

São cada vez mais os “traders” que negoceiam em suas casas e por isso, no artigo anterior, referi o isolamento como um dos aspectos negativos de quem se dedica a tempo inteiro aos mercados. Contudo, negociar em casa tem inúmeras vantagens. O conforto do lar permite uma tranquilidade enorme a um investidor que pode estar a trabalhar da forma mais relaxada possível, escolhendo a música que está a ouvir e sem sequer se preocupar com o que tem vestido. A imagem do “trader” como um homem de fato e gravata, com um telemóvel no ouvido no meio de centenas de pessoas aos berros, é cada vez menos uma realidade.

Para se conseguir trabalhar desta forma, com um elevado grau de independência (outra das vantagens desta actividade) é essencial que um “trader” possua uma elevada dose de disciplina que lhe permita gerir o seu tempo responsavelmente, sem prejudicar o seu desempenho nos mercados. O desenvolvimento de capacidades individuais como a disciplina e o controlo das emoções é, na minha opinião, um dos aspectos positivos mais subvalorizados quando falamos da vida de um “trader”.

Um dos aspectos que mais me agrada na minha actividade é o facto de, diariamente, me surgirem desafios novos. Por mais monótono que, por vezes, o mercado seja, há sempre uma oportunidade à espreita e a sua procura é um desafio constante para qualquer “trader”.

Acho particularmente interessante nesta actividade o facto do desempenho de um “trader” ser de fácil avaliação. Em outras profissões é muito difícil fazer a avaliação do trabalho de cada um. A componente subjectiva da avaliação é grande (quem discorda desta minha afirmação sugiro que se ofereça para mediar o conflito entre professores e o Ministério) e, muitas vezes, o próprio desempenho não é perceptível para os outros. Nos mercados, os resultados de são a melhor forma de avaliação do mesmo, já que são objectivos e completamente transparentes.

É evidente que os resultados de um ano de actividade podem não ser bons indicativos da verdadeira qualidade de um “trader”, mas 6 ou 7 anos serão suficientes para avaliar o seu desempenho. Saber que o meu trabalho é reconhecido, quer pela positiva quer pela negativa, fruto de uma avaliação objectiva motiva-me imenso. Quantos não são aqueles que, nas suas actividades, se sentem frustrados pelo seu desempenho não ser suficientemente reconhecido?

Se, no anterior artigo, tinha colocado a falta de remuneração fixa e a possibilidade de incorrer num largo período de perdas como óbices para a decisão de alguém se dedicar, por inteiro, aos mercados, hoje abordarei a questão da remuneração de uma perspectiva diametralmente oposta. Será difícil encontrar uma outra actividade em que o potencial de ganhos seja tão grande como nesta. O “sonho dourado” - por mais difícil que seja de alcançar - está sempre na mente de cada “trader” e torna-se extremamente motivador.

Quando me acenam com as 12 horas de trabalho diário, com os dias passados isolados ou com o “stress” que me vai colorir rapidamente o cabelo de branco como motivos para não seguir a vida de “trading” sorrio. Percebo-os mas sorrio. Não trocaria a minha profissão por nenhuma outra. Adoro a minha liberdade, adoro o desafio diário, adoro os “mind games” do mercado, adoro a luta contra mim próprio e adoro poder fazer tudo isto, ao som de Rodrigo Leão, no conforto da minha cadeira, da minha cama ou até na areia da minha praia preferida.

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